Foi uma boa partida.
A escalação do São Paulo surpreendeu. Zé Luís jogando como zagueiro, Alex Silva na sobra, Jancarlos e Fábio Santos entraram no time, e Dagoberto ao lado de Adriano. Ótimas escolhas. Como há muito tempo não acontecia, o São Paulo teve jogadas construídas no toque de bola, tabelas e triangulações. Além disso, a ótima partida de Adriano decidiu o confronto.
O jogo deveria ter sido mais equilibrado, mas Renato Gaúcho, a meu ver, errou feio na escalação. Se pretendia (como fez parecer) esperar o São Paulo no campo de defesa, a escalação de Arouca e Dodô não faz sentido. O atacante não jogou nada bem e Arouca deu muitos espaços. Como Ygor jogou recuado à frente da zaga, o São Paulo dominou o meio-de-campo.
Seria mais inteligente escalar outro volante de marcação, adiantar um pouco Ygor e entrar com Conca no lugar de Dodô. Thiago Neves poderia jogar mais à frente, incomodando mais a zaga do São Paulo. Quando entrou, o argentino fez boas jogadas, inclusive um belo drible em Richarlyson na linha de fundo.
Primeiro tempo
O São Paulo dominou o primeiro tempo inteiro sem grandes sustos. Construiu várias jogadas de gol, anulou Thiago Neves (apagadíssimo) e contou com a empolgação tanto do time quanto da torcida. Mas a diferença quem fez foi Adriano.
Organizou o time, chamou o jogo, deu passes, distribuiu jogadas, ganhou todas de cabeça. Começou a jogada do gol e pegou o rebote do chute de Dagoberto, além de vários lances de perigo. Foi o Imperador pelo qual a torcida da Internazionale se apaixonou e mais um pouco. Na Inter, Adriano era o atacante dos chutes fortes de média e longa distância, da boa presença de área e grande disposição. Hoje, além de tudo isso, foi o líder do time.
Dagoberto jogou aberto pelos lados e levou muito perigo, principalmente pela esquerda, junto com Hugo e Richarlyson. Fábio Santos e Hernanes roubaram várias bolas e foram importantes para a movimentação no ataque.
Do lado do Fluminense, faltou disposição de Libertadores. Mesmo com a escalação errada, achei o time apático, sem muita vontade de vencer o São Paulo. Ainda assim, conseguiu algumas jogadas de linha de fundo pela direita com Gabriel e Thiago Neves, além do auxílio de Arouca. Cícero não foi tão bem, como Washington, mas ambos se esforçaram. Junior César poderia ter aproveitado muito melhor as falhas de marcação de Jancarlos.
O 1 a 0 deixou o Fluminense no lucro no final do primeiro tempo.
Segundo tempo
A postura do Fluminense melhorou, até porque o São Paulo decidiu marcar mais atrás. A estratégia era clara: evitar o gol adversário. O contra-ataque encaixou um pouco, mas Dagoberto e Adriano não tiveram sorte. Uma das últimas jogadas da dupla, com a participação de Fábio Santos, quase resultou em gol.
A alteração de Thiago Neves por Conca melhorou (e muito) o Flu. Diferentemente do camisa 10, o argentino chamou a responsabilidade, fez boas jogadas, embora tenha errado muitos passes por afobação. Com ele o time ganhou o meio-de-campo, mas não conseguiu fazer boas jogadas por conta da ineficiência de Dodô, principalmente.
Mesmo jogando melhor, não foi o suficiente: o Fluminense acabou tendo de se contentar com o resultado adverso.
Próximo jogo
Lá vem o chavão: nada está definido. É perfeitamente possível para o Fluminense reverter o resultado. Para isso vai precisar de paciência e uma melhor escalação. A troca simples de Dodô por Conca, prendendo mais Arouca na marcação, deve ser suficiente para evitar que o São Paulo jogue sem medo de tomar o gol. Se Adriano for mal marcado como hoje, entretanto, tudo pode ir por água abaixo. Principalmente se Jorge Wagner jogar o próximo jogo: o Fluminense precisa corrigir bastante a marcação da bola aérea.
Para o São Paulo valerá mais a experiência em Libertadores do que necessariamente o placar conseguido no Morumbi. Saber cozinhar o jogo e levar a torcida do Fluminense a apoiar menos o time (lembrando o que aconteceu nas oitavas-de-final) será importantíssimo.
Em suma: o São Paulo jogou a melhor partida no ano, junto com a primeira semifinal do Paulista contra o Palmeiras. O Fluminense pode jogar mais, bem mais do que apresentou. Acredito que vença o jogo no Rio. Mas se há favorito para a vaga, este agora é o São Paulo. Pelo simples fato de a história provar que, em Libertadores, a tradição no torneio faz a diferença - principalmente quando o time mais tradicional tem a vantagem.
Se o São Paulo vencer, será mais uma semifinal de Libertadores, a nona em sua história. Se o Flu vencer, ganhará moral mais que suficiente para acreditar seriamente no título.