Archive for the 'Análise' Category

Seleção Brasileira estréia nas Olimpíadas

O time é, por incrível que pareça, bem convocado e muito bom. Não faria grandes mudanças na lista de Dunga, mas tenho certeza que este não encontrou a melhor maneira de arranjar o time taticamente.

Vi apenas o primeiro tempo contra Cingapura: um time medroso e pouco móvel. Dá a impressão que Dunga só consegue pensar em funções táticas aplicadas a áreas do campo, não a situações de jogo. Por exemplo:

Hernanes e Lucas jogaram mais recuados, Anderson e Diego invariavelmente recebiam a bola deles ou de um dos laterais mais avançados. E aí se virava para tabelar com Ronaldinho e Pato: não havia movimentação de Hernanes ou Lucas para o ataque. Nos raros momentos em que isso aconteceu, Anderson descia para fazer cobertura. Atacava-se com a mesma quantidade de jogadores ao mesmo tempo.

É muito fácil marcar times jogando assim, e até o ridículo time de Cingapura sabe fazer isso. Basta posicionar as famosas duas linhas de quatro, marcar a saída de bola à distância com os atacantes e pronto: nada acontece.

Muito mais sensato seria inverter a posição de Anderson com Hernanes, para que este jogue um pouco mais adiantado e possa usar os chutes de fora da área, que vez por outra acertam o alvo. Junto com isso, promover a subida mais efetiva dos laterais e a movimentação de Pato (mais à direita) e Ronaldinho (mais pela esquerda), para formar triângulos ofensivos nos dois lados do campo. Para isso, melhor seria escalar Thiago Neves na vaga de Diego, que centraliza bastante.

Anderson e Lucas poderiam, em momentos agudos, se infiltrar nos espaços deixados pelo trabalho ofensivo, e aí sim um lateral e um meia cobririam os espaços, para evitar contra-ataques e dar opções de jogadas.

Contra a Bélgica, não veremos isso. Veremos sim um jogo chato de futebol, onde o Brasil deverá fazer um ou outro gol e não aproveitar seu potencial ofensivo. Jogos contra equipes mais fracas servem para dar entrosamento ofensivo, e não somente entrosamento defensivo. Investir somente na defesa e nas formas ortodoxas de cobertura no meio-campo não vai render frutos no futuro - e pode custar a medalha de ouro nas Olimpíadas.

A 16ª rodada - Palmeiras x Flamengo

O jogo mais importante da rodada é, sem dúvida, Palmeiras x Flamengo. No Parque Antártica vão se enfrentar dois candidatos ao título, além de times com grande qualidade.

O Palmeiras surge como favorito, devido à má fase do Flamengo e ao fato de jogar em casa. Mas vou contra as previsões da maioria: acho que o Flamengo, hoje, tem tudo para vencer. O Meio-campo do Flamengo é mais consistente. Além disso, o Flamengo joga bastante pelas laterais. Isso prenderá o avanço dos alas do Palmeiras e pode ser fatal numa defesa tão fraca quanto a atual do Palmeiras (Jéci e Gladstone).

Já o Palmeiras precisa apostar em jogadores que não jogam bem há tempos, como Léo Lima e Diego Souza. Valdivia continua uma incógnita.

15ª rodada - os jogos de sábado

Náutico x Coritiba

Bastante desfalcado, o Coritiba vai encarar o Náutico nos Aflitos. É o típico jogo que o Timbu geralmente vence bem. Mas o Coritiba está com uma campanha bastante sólida, e é difícil derrotá-lo mesmo fragilizado e fora de casa. O trabalho de Dorival Junior é muito bom. Aposto no empate.

Ipatinga x Internacional

Nas próximas rodadas o Inter pega Santos, Cruzeiro e Fluminense. O que dizer? Melhor poupar uns dois ou três titulares, pois o Ipatinga pouco pode fazer. Três pontos para o Colorado.

Fluminense x Cruzeiro

Ver post acima.

Grêmio é novo líder

Figueirense 1×7 Grêmio

O Figueirense não teve chance alguma diante do Grêmio. No primeiro tempo fez o que pôde, mas levou dois gols em cruzamentos. O terceiro gol também foi obtido desta forma. A defesa catarinense terá dificuldades contra times que se aproveitam bem do jogo aéreo.

Os outros 4 gols saíram na fase do desespero, quando o Figueira não tinha praticamente ninguém na marcação. Ainda assim, a fragilidade demonstrada me leva a dizer que o Figueirense é candidato a rebaixamento.

Já o Grêmio, novo líder, faz excelente campanha, teve a volta dos gols de Perea e pode complicar nesta reta final de turno. Não acredito no Grêmio para disputar o título, mas a vaga na Libertadores não é um objetivo tão duro, ainda mais se outros times melhores vacilarem.

Palmeiras 4×2 Santos

O blog errou o palpite. Ambas as defesas estavam fragilizadas ao máximo. De que adianta três zagueiros se o espaço é todo no meio-campo? Falta pegada a ambos os times. O Palmeiras deu uma melhorada em relação ao jogo com o Goiás, o Santos uma piorada em relação ao jogo com o Sport. Não é suficiente para as pretensões dos times paulistas. Precisam melhorar muito mais.

Sport 1×0 Atlético-PR

Vi só o gol de Luciano Henrique. Como disse, o Sport vai fazer a campanha suficiente para não cair. O ano já está ganho.

Os outros jogos da 14ª rodada na quarta-feira

Cruzeiro 0×1 Goiás

Depois não sabem o motivo do Cruzeiro ficar no “quase” nos últimos anos… Perder para o Grêmio quando este é adversário direto, para mim já é absurdo (mesmo fora de casa). Mas para o Goiás em casa? Gol de falta do Iarley afasta os goianos da zona de rebaixamento, deixando a batata do Galo assar. Será que a Raposa queria sacanear o rival centenário?

Botafogo 4×0 Atlético-MG

Até Carlos Alberto e Gil fizeram gols em mais uma goleada sofrida pelo Galo no ano do centenário.

O Botafogo está acertando o time, coisa que Ney Franco sabe fazer. Só não pode esperar mais do que isso.

Já o Atlético encaminha-se tristemente à zona do rebaixamento, merecidamente. De cabeça, me lembro de 3 goleadas no ano: 5 a 0 contra o Cruzeiro na final do Estadual, 5 a 0 contra o São Paulo, mais este 4 a 0. É, dos grandes times brasileiros, o que mais tem chances de cair. E não são poucas, infelizmente.

Coritiba 1×0 Ipatinga

O Coritiba está fazendo o óbvio neste campeonato: jogar em casa contra o eterno lanterna e virtual rebaixado significa ganhar 3 pontos. Méritos para o gol do Coxa, um chute raro e até, digamos, bonito.

Vitória 2×0 Náutico

Devagar que o santo é de barro. Vão falar, elogiar, louvar, fazer tudo com este time do Vitória que, justiça seja feita, vem jogando bem.

Mas a posição deste na tabela é decididamente momentânea. No campeonato do ano passado o Goiás tinha 23 pontos na décima-quarta rodada, e por pouco não foi rebaixado. Não tenho motivos para achar que o Vitória será rebaixado, mas nada me indica que chegará entre os oito primeiros. Há times melhores que irão superá-lo ao longo da competição.

Já o Náutico… Este precisa se cuidar se não quiser voltar para a Série B. Quem avisa amigo é.

O Internacional chegou

Bom jogo no Beira Rio, dominado pelo Inter. Desde o começo atacando pelos lados abrindo Alex pela esquerda e Taison, vindo de dentro mais pela direita. O gol quase saiu numa jogada de linha de fundo em que Nilmar só não fez o gol de cabeça porque Rogério Ceni fez milagre. Acabou saindo quinze minutos depois, numa falha clamorosa de Juninho. O Inter era melhor e marcava todos os jogadores do meio-campo do São Paulo com muito velocidade. Guiñazu foi um terror (no bom sentido) em campo.

No segundo tempo, o SPFC adquiriu mais posse de bola, mas apenas para proporcionar o contra-ataque que selou a vitória difícil, mas tranqüila, do Colorado.

Erro da arbitragem no gol de Dagoberto

Sobrou afobação ao bandeirinha que assinalou impedimento na jogada em que Dagoberto fez gol. O jogo estava 0 a 0, e considerando o histórico do São Paulo neste campeonato, o jogo ficaria ótimo para o time tricolor. Erro grave do auxiliar.

E o Inter chegou

Quem duvida, depois do jogo de ontem, que o Internacional brigará pelo título? É bom lembrar que ainda virão Rosinei, D’Alessandro e Daniel Carvalho. Claro que Gustavo Nery também está no pacote, mas, com sorte, ele não atrapalhará.

Internacional vs São Paulo - 14ª rodada

O elenco do Internacional é, hoje, melhor que o do São Paulo. Além disso, terá provavelmente dois bons jogadores em breve: Daniel Carvalho e D’Alessandro.

Mas o SPFC já mostrou força em algumas partidas deste campeonato, mesmo jogando fora de casa. Flamengo e Vitória não me deixam mentir.

Por tudo que vêm fazendo nos últimos 4 anos, Inter e São Paulo são naturais candidatos ao título Brasileiro. Basta lembrar que juntos, neste período, têm duas Libertadores, dois Mundiais, dois títulos Nacionais e dois vice-campeonatos.

A partida de hoje

A primeira sem os desfalques da Seleção Olímpica, muito mais fortes no SPFC do que no Colorado.

A marcação do SPFC, sem Hernanes e Alex Silva, ficará comprometida. Jogando fora de casa contra um time forte, tem tudo para não dar conta. Nilmar e Alex são mais velozes do que André Dias e Juninho. Para o desempenho do SPFC no contra-ataque repetir as boas atuações do ano, será necessária uma boa partida de Zé Luís, que na minha opinião deveria marcar Alex individualmente.

Já o Inter precisa ter tranquilidade. Segurar a bola no campo de ataque, pois o SPFC sempre faz a cobertura dos alas com o meio-de-campo. Joílson vem jogando bem nessa função. Jogar Alex aberto pela esquerda pode abrir mais espaço no meio, onde Nilmar, Taison e Guiñazu podem jogar.

Será um bom jogo, e meu palpite é o empate.

Holanda 3×0 Itália - Jogaço pela Eurocopa

Primeiro jogo muito bom da Eurocopa. A Holanda venceu a partida com autoridade, derrotando os atuais campeões mundiais.

O time laranja apresentou um bom futebol. Toque de bola rápido e consciente, boa criação de jogadas pelas laterais e organização de meio campo bastante satisfatória. Entretanto, fica uma mancha: o impedimento claríssimo, incompreensivelmente não marcado, de Ruud van Nistelrooy no primeiro gol holandês.

O segundo gol foi uma pintura, um contra-ataque perfeito que consagrou o grande jogador da partida, Wesley Sneijder, meia do Real Madrid. O jogador me agrada muito, desde os tempos de Ajax. Hoje comandou sua Seleção.

A Itália não jogou mal; criou grandes chances, invariavelmente desperdiçadas por Luca Toni, e esbarrou no goleiro Van Der Sar, que garantiu o placar favorável com grandes defesas (uma delas gerou o contra-ataque que resultou no terceiro gol). Precisa abrir os olhos e se recuperar no próximo jogo contra a Romênia.

A Holanda, agora, só precisa vencer uma das duas partidas restantes, contra França e Romênia, para se classificar. Se jogar como hoje, conseguirá e chegará com favoritismo para a fase de mata-mata.

Boca Juniors versus Fluminense - Avellaneda

No estádio do Racing, Boca e Flu começam a semifinal mais importante (podem cobrar, daqui sairá o campeão) da Libertadores da América 2008.

Prognóstico tático

Como foi amplamente divulgado, o Fluminense terá um jogador para marcar Riquelme especialmente: Arouca. Provavelmente virá com 3 zagueiros, de modo a ter Thiago Silva na sobra e Luiz Alberto e Roger enfrentando Palacio e Palermo. O problema, na minha opinião, não será nenhum destes três argentinos.

O Boca conseguirá boas jogadas pelo lado esquerdo de seu ataque; se Palacio conseguir cair bem pela esquerda (normalmente ele vai pela direita) e criar jogadas com Dátolo, além do apoio de Riquelme, o Boca tem tudo para jogar na avenida Gabriel. Contra o Cruzeiro, no primeiro jogo, os gols sairam pela esquerda.

Por outro lado o Fluminense não pode abdicar do ataque. Bolas aéreas e inversões táticas (como Cícero trocando de lugar com Thiago Neves, ou a ocasional subida de Arouca ao ataque), principalmente pelo lado direito da defesa boquense (Ibarra é forte no apoio mas fraco na marcação), podem ajudar o Fluminense.

O que cada um precisa

A meu ver, o Boca precisa da vitória simples. Não pode arriscar-se com um empate (ainda mais se for com gols). Mas se vencer por 3×2 saberá muito bem como levar a vantagem para o Maracanã. É a especialidade do Boca.

Já o Fluminense vai acabar se contentando com qualquer resultado que não seja derrota por dois ou mais gols de diferença. Acho que deveria tentar vencer, no máximo empatar. Vide o que houve com Atlas e Cruzeiro: tinham “bons resultados” nas mãos e perderam os jogos em casa.

Palpite

2×1 para o Boca. Não é meu desejo, mas acredito que é isso que vai acontecer.

São Paulo vence o primeiro jogo com o Fluminense

Foi uma boa partida.

A escalação do São Paulo surpreendeu. Zé Luís jogando como zagueiro, Alex Silva na sobra, Jancarlos e Fábio Santos entraram no time, e Dagoberto ao lado de Adriano. Ótimas escolhas. Como há muito tempo não acontecia, o São Paulo teve jogadas construídas no toque de bola, tabelas e triangulações. Além disso, a ótima partida de Adriano decidiu o confronto.

O jogo deveria ter sido mais equilibrado, mas Renato Gaúcho, a meu ver, errou feio na escalação. Se pretendia (como fez parecer) esperar o São Paulo no campo de defesa, a escalação de Arouca e Dodô não faz sentido. O atacante não jogou nada bem e Arouca deu muitos espaços. Como Ygor jogou recuado à frente da zaga, o São Paulo dominou o meio-de-campo.

Seria mais inteligente escalar outro volante de marcação, adiantar um pouco Ygor e entrar com Conca no lugar de Dodô. Thiago Neves poderia jogar mais à frente, incomodando mais a zaga do São Paulo. Quando entrou, o argentino fez boas jogadas, inclusive um belo drible em Richarlyson na linha de fundo.

Primeiro tempo

O São Paulo dominou o primeiro tempo inteiro sem grandes sustos. Construiu várias jogadas de gol, anulou Thiago Neves (apagadíssimo) e contou com a empolgação tanto do time quanto da torcida. Mas a diferença quem fez foi Adriano.

Organizou o time, chamou o jogo, deu passes, distribuiu jogadas, ganhou todas de cabeça. Começou a jogada do gol e pegou o rebote do chute de Dagoberto, além de vários lances de perigo. Foi o Imperador pelo qual a torcida da Internazionale se apaixonou e mais um pouco. Na Inter, Adriano era o atacante dos chutes fortes de média e longa distância, da boa presença de área e grande disposição. Hoje, além de tudo isso, foi o líder do time.

Dagoberto jogou aberto pelos lados e levou muito perigo, principalmente pela esquerda, junto com Hugo e Richarlyson. Fábio Santos e Hernanes roubaram várias bolas e foram importantes para a movimentação no ataque.

Do lado do Fluminense, faltou disposição de Libertadores. Mesmo com a escalação errada, achei o time apático, sem muita vontade de vencer o São Paulo. Ainda assim, conseguiu algumas jogadas de linha de fundo pela direita com Gabriel e Thiago Neves, além do auxílio de Arouca. Cícero não foi tão bem, como Washington, mas ambos se esforçaram. Junior César poderia ter aproveitado muito melhor as falhas de marcação de Jancarlos.

O 1 a 0 deixou o Fluminense no lucro no final do primeiro tempo.

Segundo tempo

A postura do Fluminense melhorou, até porque o São Paulo decidiu marcar mais atrás. A estratégia era clara: evitar o gol adversário. O contra-ataque encaixou um pouco, mas Dagoberto e Adriano não tiveram sorte. Uma das últimas jogadas da dupla, com a participação de Fábio Santos, quase resultou em gol.

A alteração de Thiago Neves por Conca melhorou (e muito) o Flu. Diferentemente do camisa 10, o argentino chamou a responsabilidade, fez boas jogadas, embora tenha errado muitos passes por afobação. Com ele o time ganhou o meio-de-campo, mas não conseguiu fazer boas jogadas por conta da ineficiência de Dodô, principalmente.

Mesmo jogando melhor, não foi o suficiente: o Fluminense acabou tendo de se contentar com o resultado adverso.

Próximo jogo

Lá vem o chavão: nada está definido. É perfeitamente possível para o Fluminense reverter o resultado. Para isso vai precisar de paciência e uma melhor escalação. A troca simples de Dodô por Conca, prendendo mais Arouca na marcação, deve ser suficiente para evitar que o São Paulo jogue sem medo de tomar o gol. Se Adriano for mal marcado como hoje, entretanto, tudo pode ir por água abaixo. Principalmente se Jorge Wagner jogar o próximo jogo: o Fluminense precisa corrigir bastante a marcação da bola aérea.

Para o São Paulo valerá mais a experiência em Libertadores do que necessariamente o placar conseguido no Morumbi. Saber cozinhar o jogo e levar a torcida do Fluminense a apoiar menos o time (lembrando o que aconteceu nas oitavas-de-final) será importantíssimo.

Em suma: o São Paulo jogou a melhor partida no ano, junto com a primeira semifinal do Paulista contra o Palmeiras. O Fluminense pode jogar mais, bem mais do que apresentou. Acredito que vença o jogo no Rio. Mas se há favorito para a vaga, este agora é o São Paulo. Pelo simples fato de a história provar que, em Libertadores, a tradição no torneio faz a diferença - principalmente quando o time mais tradicional tem a vantagem.

Se o São Paulo vencer, será mais uma semifinal de Libertadores, a nona em sua história. Se o Flu vencer, ganhará moral mais que suficiente para acreditar seriamente no título.